90 anos de voto feminino e as mulheres ainda precisam de avanço na política

Hoje, 24 de março de 2022, o Código Eleitoral de 1932 completa 90 anos! Com isso, houve a conquita do voto feminino, junto com o voto secreto, o sistema de representação proporcional e a regulamentação das disputas municipais, estaduais e federais.

Apesar do aniversário desse importante marco, não há muito o que celebrar. Por causa da lei, as mulheres são 52% dos eleitores totais do país, ou seja, podem juntas fazer a diferença ao escolherem um representante político. Mas, de todos os cargos políticos do Brasil, elas são APENAS 15%, mesmo que haja uma exigência de se apresentar 30% de candidatas nas eleições. Será que esse grupo de 15% consegue mobilizar direitos mais equitativos e justos para uma população em que temos pouco mais da metade de meninas e mulheres?

Ao visualizar o quadro atual de governadores de Estado, somente 1 de 27 cadeiras é ocupada por mulher (Fátima Bezerra, no Rio Grande do Norte). Se formos comparar 1/27, é uma representatividade de 3,7%; mas se compararmos com a população envolvida, é de 1,6%.

Mais que isso, o Brasil já tem mais de 132 anos de república, e dos 38 presidentes, somente 1 foi mulher (Dilma Rousseff). O país teve uma liderança feminina durante 3,7% de todo esse período.

Não estamos acostumados a ter mulheres como grandes referências na política, e isso atrapalha e até inibe que meninas e mulheres busquem esses espaços, seja como vereadoras, prefeitas, ministras ou presidentes. E isso acontece também pela própria falta de autoestima e ambição de alcançar esse status. É uma posição que possibilita enormes mudanças para todos.

Finalmente, o Brasil está na posição 142 da lista internacional que aponta a participação de mulheres na política. Na América Latina, perde apenas para o Haiti nesse ranking. E não é por falta de vizinhos inspiradores, pois o Chile conta com 14 ministras e 10 ministros na gestão do novo presidente Gabriel Boric.

A importância da voz na carreira

Em 14 de setembro, a PWN São Paulo promoveu um evento sobre voz feminina, com a fonoaudóloga clínica Madel Valle, também especialista em voz.


Qual a importância da voz para que sejamos escutadas? É muito importante a autopercepção de cada voz. Muitas vezes, passamos a mensagem achando que estamos comunicando o que queremos, mas nem sempre atingimos o objetivo. Uma vez, uma profissional recebeu um feedback do gestor, pois era considerada agressiva nas interações com as pessoas. Ao ter uma consulta com a Madel, o problema era o volume da voz, pois a voz muito alta passava uma mensagem agressiva, mas sua personalidade não era.


A partir da voz de alguém, mesmo que desconhecido, você consegue ter uma ideia corporal da pessoa, sentir as emoções e intenções. Uma pessoa mais extrovertida pode ter uma voz mais solta e aberta. Uma pessoa mais introvertida é mais suave e sem alterações nos tons. No mundo profissional, podemos ter perda se não falamos da forma mais modelada e adequada.

 
Quanto às mulheres, há um agravante. A voz muito aguda leva à infantilização, e até à insegurança. Uma pessoa procurou a Madel para resolver sua voz muito fina, e tinha que provar 20 vezes mais que era competente.


A voz grossa ainda está marcada por ser uma voz de poder e influência. Por causa disso, muitas mulheres que querem crescer tendem a falar mais grosso e firme, o que não é bom para a própria pessoa, e confirma que esse padrão da voz grossa seja mais relevante. “Como ela fica bonitinha brava” é um comentário comum (e muito indesejado).

Alguns pontos importantes:

1. Perceber a sua própria voz

Ter um retorno de si própria. Usar técnicas para comunicar melhor. 

2. Usar ênfases

Enfatizar as palavras e os termos certos na fala.

 3. Fazer pausas e fazer ping pong com o ouvinte

As pausas são tão importantes quanto as falas, e deixar o outro interagir é fundamental para fluir bem uma troca. 

4. Fazer uma voz agradável para ouvir e saber transmitir a mensagem

Quanto mais agradável a voz, melhor é recebida a mensagem, com maior efetividade. 


Com o momento da pandemia, as videoconferências mudaram muito a questão da comunicação, principalmente para mulheres. As mulheres usam muito mais da linguagem corporal. E isso se perdeu com os contatos virtuais. Com isso, houve uma nova percepção por conta da voz, que tornou-se bem mais importante. 


A voz é tão importante no virtual quanto no presencial? Dicas específicas da Madel: o mau uso da voz acontece também virtualmente, como manter o tom de voz do início ao fim, os fones devem ser evitados, revezados e tirados quando possível, a câmera é o olho do outro, a postura é muito importante para não pressionar a corda vocal, e a direção do olhar também precisa ser reta e em boa altura.


Estamos em processo de mudança, apesar de ser algo lento. Uma mulher assertiva já é considerada agressiva. Então, deve-se sempre pensar no equilíbrio e trabalhar a voz.


E em reuniões com maioria masculina, como fazer para evitar ser interrompida? Projetar mais a voz, colocar mais a voz e insisitir com as pessoas, mostrando que quer continuar seu ponto. As pessoas que falam baixo sofrem bem mais, pois não conseguem passar sua mensagem.


É importante saber mais de…

  • Autopercepção da voz
  • Projeção do som
  • Momento de fala
  • Recursos da voz (ênfase, respiração)
  • Velocidade da fala
  • Respiração correta

A velocidade da fala é outro ponto relevante. Uma fala lenta é pior, na verdade. E a voz rápida mostra que quer acabar logo a conversa, e não teria tanto interesse no outro. 


As pausas são bem importantes e fazem parte do discurso, como faz Barack Obama: é como se conversasse com a plateia e esperasse sua resposta. E as pausas são bem diferentes da fala lenta, que dá sono e mostra insegurança ou falta de conhecimento. É importante também saber evitar os vícios de fala, puxar vogais e repetir palavras. 


Em situações de ficar brava, como lidar com as emoções? O controle emocional vai também direcionar as cordas vocais, então é um trabalho conjunto. 


A voz tremida pode ser algum problema mais grave, uma patologia. Se for ocasional, pode ser alguma falta de cuidado. Se for frequente, deve procurar um profissional. Se ficar rouco ou falar grosso, pode ser uma patologia também. No máximo 15 dias, ainda é considerado normal.


O envelhecimento faz com que tenhamos uma voz mais soprosa, pois as cordas vocais vão se abrindo, com espaçamentos. Atividades com a voz podem ajudar as cordas vocais a ficarem com menos dessa voz soprosa. Fazer parte de coral ou exercícios de voz pode ajudar muito. Quanto mais exercícios fizermos, melhor a voz fica. Frank Sinatra cantava muito bem aos 80 anos porque treinava bastante.

Finalmente, Madel sugere exemplos de mulheres que falam bem para nos inspirar: Michelle Obama e Maju Coutinho.


Contato: @madelfonoaudiologa

Inteligência emocional em tempos de incertezas

Tivemos um workshop super interessante com Carlos Aldan, CEO do Grupo Kronberg, promovido pela PWN São Paulo. Inicialmente, ele questionou qual era o sentimento predominante dos participantes, e a resposta mais frequente foi ansiedade. Ele reforçou que isso não aconteceu somente com o grupo, mas com todos os 15.000 participantes para quem ele ministrou o workshop no último ano!

Para começar, Aldan trouxe a explicação do paradoxo de Stockdale, cujo conceito tem origem na guerra. Foi feito um estudo de sete anos com sobreviventes de guerra, e a conclusão foi de que os otimistas não sobrevivem. Por quê? Porque ter fé é diferente de ter um final vitorioso. Essa ideia pode ter uma relação com o que vivemos hoje com a pandemia.

O que temos hoje como realidade nua e crua: perda de emprego, exigência de competências, esperança e muitas dificuldades. Para isso, precisamos de liderança exponencial. Segundo a HBR, 85% das pessoas entendem que suas condições de trabalho pioraram durante a pandemia.

O que precisamos, então, é de um otimismo equilibrado, evitando o desamparo aprendido e não desistir de lutar. Dentre as oito competências da inteligência emocional, temos o “medir e desenvolver”, em que é necessário ter um cérebro saudável e otimista, que traz vantagens na saúde. Ser otimista é melhor que ser negativista, este é aquele que vive em estado de sobrevivência. É importante trabalhar com a psicologia positiva após grandes impactos.

Aldan também tratou da dica de dizer “não” aos 3 Ps:

  • Personalização da crise >> assumir responsabilidades
  • Permanência >> entender que sentimentos se atenuam
  • Pervasividade >> não ser ruim em tudo

Também foi discutida a forma de fazer um diálogo interno para explicar fenômenos: como falo comigo mesmo? Temos resiliência inata!

Quando temos emoções negativas, não é algo negativo, não podemos julgar dessa forma. As emoções são um algoritmo de sensações. Segundo Jung, aquilo que você resiste, persiste; e de acordo com a Kronberg, aquilo que você acolhe, encolhe. Essas emoções negativas podem levar à improdutividade, com limites estreitos.

Para a neurociência, não há dogma. Aldan trouxe três grandes pontos como soluções para melhor a inteligência emocional:

1. Cuide do orçamento do seu corpo

Temos sofrido perdas significativas de recursos nos últimos anos (transtorno mental), como depressão, burnout, divórcio, entre outras. A partir desses estressores externos, quais são os nossos depósitos? Podemos: dormir oito horas por dia, melhorar os relacionamentos por meio de conexões emocionais, e ter um propósito (logoterapia). É necessário mostrarmos gratidão, contar as bênçãos e trabalhar com o perdão, que é um processo íntimo e individual. Tais pontos tiram a energia do depósito, mas não tiram senso de justiça.

Por que estamos vivendo isso? Pessoas gratas são mais felizes, e a gratidão dura seis meses nesse depósito. Quanto mais emoções positivas e menos emoções negativas tivermos, mais temos prosperidade.

2. Reprograme as emoções

As mudanças profundas são sempre possíveis, já que o cérebro é algo plástico que se transforma. É muito importante recategorizar as emoções, principalmente de dor e sofrimento, pois dor é a fraqueza que deixa o corpo pior. Ansiedade, por sua vez, é o que dá foco para fazermos mais e sairmos fortalecidos. O estresse nos dá energia, mas não de forma permanente.

3. Trabalhe a empatia

É fundamental suspender julgamentos, pois nunca sabemos o que se passa com o outro, tratando do lado cognitivo, emocional e o cuidado empático.

Aldan traz a ideia de que o ambiente virtual tem cansado mais porque perdemos a linguagem corporal da comunicação, que é justamente a empatia. A empatia não se reduz a pensar com o outro (Stephen Covey), mas perguntar como o outro está, quando ele se comporta diferente, por exemplo. Julgamento é diferente de curiosidade com diálogo. Por meio de autocompaixão e autoperdão, podemos fortalecer conexões.

Assim, podemos ter líderes exponenciais, transformacionais e empáticos nas organizações. A empatia conta com os dois lados, com poder. Dessa forma, passamos de soft skills para power skills.

Liderança balanceada: manual de melhores práticas para empresas

Em agosto de 2017, foi lançado o manual de melhores práticas em liderança balanceada para empresas. A PWN São Paulo lançou um documento inédito com o passo-a-passo para mudar a realidade das mulheres nas organizações.

Se ainda não conheceu o material, baixe o arquivo aqui:

Mentora: Suzana Soncin

Entrevistamos nossos mentores da PWN São Paulo para que conheçam um pouco mais do seu perfil. São profissionais excelentes!

1. O que te motiva a ser uma mentora?

Estar aberta a trocar e aprender com a experiência das pessoas, poder contribuir com minha jornada é algo que me inspira há muito tempo. Meu primeiro processo de mentoria oficial já faz mais de 10 anos, desde então é algo que faz parte da minha agenda. Já mentorei empresários, vice presidentes, c-levels, novas lideranças, trainees, enfim independente do nível profissional do momento, nos conectamos como humanos, necessidades humanas é isso que me move na mentoria.

2. Por que ter um(a) mentor(a)? Qual é a importância para a mentee?

Para mim, traz evolução tanto para mentor e quanto para o mentee. Através do compartilhamento, aumentamos o repertório de oportunidades, é possível enxergar caminhos que antes não se havia percebido ou não estava tão claro. A diversidade de background (geração, experiência profissional, formação acadêmica, geográfica etc.), com certeza enriquece a trilha do programa de mentoria.

3. Conte uma breve história em que você pôde influenciar uma mentorada e que você considere um sucesso.

O objetivo das mentorias que faço são direcionadas para pessoas que estão pensando nos próximos passos da sua vida, procurando mais significado no que faz, ou ainda querendo ter certeza do seu propósito. Normalmente atreladas a transformação de carreira e executivos/gestores. Abaixo alguns depoimentos:

“Foi um momento muito importante na minha vida e na minha carreira, me trouxe clareza em momentos de necessidade e, claro, momentos de descontração também quando eu precisava. A troca de conteúdo era muito boa, de alta qualidade, passamos por ferramentas para definição de metas, auxílio com dificuldades do dia-a-dia e compartilhamento de dúvidas profissionais. Tudo isso, me trouxe mais clareza para definir meu propósito e seguir em frente com ele.” Carolina Piovesan – São Paulo

“Numa fase de carreira com diversas possibilidades, desde mudar de empresa até mudar de país, além de rotina de trabalho cada vez mais desgastante na área de Tecnologia, a querida Suzana pôde me orientar, e através das sessões de mentoria, juntos conseguimos organizar as possibilidades em aberto, priorizar mudanças e determinar objetivos.” Felipe Bianchi – Brasília

Também tem este vídeo com depoimento sobre a mentoria da Viviane Lopes – São Paulo – no youtube (https://youtu.be/N-_QJ05tRpc) ou no instagram (https://www.instagram.com/s/aGlnaGxpZ2h0OjE3ODgzNDYzMzA3MjE0ODU3?story_media_id=2561045747370178781&utm_medium=copy_link).

Contato: https://www.linkedin.com/in/suzanasoncin/

Mentor: Luiz Visconte

Entrevistamos nossos mentores da PWN São Paulo para que conheçam um pouco mais do seu perfil. São profissionais excelentes!

1. O que te motiva a ser um mentor?

Um dos grandes fatores que me motivam atuar como mentor é poder contribuir de alguma forma no desenvolvimento de pessoas.

2. Por que ter um(a) mentor(a)? Qual é a importância para a mentee?

O mentor ajudará a mentorada a avaliar e reconhecer suas qualidades, competências e eventuais áreas que deve desenvolver, através de um processo que permita a mentorada fazer uma reflexão e auto avaliação. Estas habilidades e autoconhecimento é que a levarão a alcançar os seus objetivos. A mentorada terá alguém para trocar ideias, e que ajudará a olhar o longo prazo e abrir perspectivas

3. Conte uma breve história em que você pôde influenciar uma mentorada e que você considere um sucesso.

Durante a maior parte da minha vida profissional, eu atuei como executivo em empresas multinacionais de grande porte, que me deram oportunidade de vivenciar as mais variadas experiências, tanto no Brasil como no exterior. Nos últimos 17 anos, tenho atuado na área de coach e mentoria, para executivos e jovens de empresas familiares.

Contato: https://www.linkedin.com/in/luiz-visconte-271178/

Mentora: Flávia Ibri

Entrevistamos nossos mentores da PWN São Paulo para que conheçam um pouco mais do seu perfil. São profissionais excelentes!

1. O que te motiva a ser uma mentora?

A oportunidade de ajudar outras pessoas a se moverem, se transformarem na melhor versão delas mesmas podendo contribuir assim com o seu melhor para o mundo.

2. Por que ter um(a) mentor(a)? Qual é a importância para a mentee?

Ter um mentor é fundamental ao longo de toda a vida. O conhecimento e sabedoria do mentor vai impulsionar o mentee para que ele possa acelerar o seu processo de aprendizagem e evoluir, desenvolver novas habilidades para sobreviver nesse mundo de constante transformação. Um processo de mentoria é sobre ter ação na direção certa e com resultado garantido.

3. Conte uma breve história em que você pôde influenciar uma mentorada e que você considere um sucesso.

Uma colega querida com quem trabalhei por alguns anos teve a tão sonhada oportunidade de morar fora. Depois de um ano morando e trabalhando no novo país, ela me ligou bem triste, sem energia, quase que como se tivesse murchado como profissional. Depois de uma boa sessão de mentoria, ajudei-a a se reenergizar, traçar um plano de ação. No dia seguinte, ela já começou a colocar em prática algumas das coisas que tínhamos falado e poucos meses depois me ligou para contar que tinha sido promovida! Fico em especial feliz com essa história porque além de ser merecedora, a conquista dessa mentee fica de exemplo para todos nós, para acreditar que podemos conquistar o que quisermos! Basta ter a coragem de olhar par dentro, identificar o que precisa ser mudado e agir!

Contato: https://www.linkedin.com/in/flaviaibri/

Liderança feminina e o combate à COVID-19

Texto por: Claudia Minamoto

Mesmo diante do pesadelo que a humanidade vive com a disseminação da COVID-19, muitas vidas perdidas e enormes dificuldades políticas e econômicas que ficarão para a história, também ficam muitos aprendizados e quebra de paradigmas. Desses, podemos destacar que a pandemia evidenciou o potencial da liderança feminina e o seu poder de gestão de crises.

Apesar de um número ainda inexpressivo de mulheres na liderança de nações ao redor do mundo, é notável a efetividade do comando daquelas que conseguiram chegar ao posto mais alto de poder, em especial, quando se trata de uma crise tão devastadora como a do coronavírus. A exemplo disso, temos a Nova Zelândia, Taiwan, Alemanha e Noruega, com mulheres no comando, e que logo no início da pandemia conseguiram o controle do vírus e o mínimo de mortes possível.

Tanto é fato notório o sucesso da liderança feminina contra a crise pandêmica que estudos foram realizados para melhor entender o que levou a tal resultado positivo, observando questões comportamentais, psicológicas e de estilos de liderança, comparando os resultados entre líderes homens e mulheres. Um desses estudos é o paper “Leading the Fight Against the Pandemic: Does Gender ‘Really’ Matter?”, realizado por duas inglesas, pesquisadoras e professoras de economia: Supriya Garikipati, da Universidade de Liverpool, e Uma Kambhampati, da Universidade de Reading.

Segundo as pesquisadoras, existem diferenças neurológicas e comportamentais que mostram que mulheres tendem a ter mais empatia, comunicação mais clara e assertiva, o que levou ao engajamento e adesão em massa às medidas de saúde impostas, por mais restritivas que fossem.

Ainda, evidências em psicologia indicam que homens e mulheres reagem de maneira muito diferente às experiências negativas. As mulheres respondem mais forte e intensamente do que os homens quando anteveem resultados negativos, mas costumam ter muita cautela, sendo mais prudentes em suas crenças e contidas em suas ações. Já os homens, respondem com raiva às experiências negativas, o que os torna menos cautelosos sobre apostas futuras. A exemplo disso, vemos os movimentos acalorados e negacionistas, protagonizados por Jair Bolsonaro (Brasil), Donald Trump (ex-líder dos EUA), e Boris Johnson (Grã Bretanha) e que só levaram ao atraso na aplicação das medidas de saúde, sacrificando milhares de vidas. O populismo exacerbado e a veia política contaminada pela competição entre partidos também são fatores agravantes para o caos vivido nesses países que possuem homens no comando.

Outra característica levantada entre líderes masculinos e femininos é que as mulheres são mais avessas a assumir riscos, ao contrário dos homens, que são mais apostadores e se lançam mais aos riscos. No entanto, deve-se relativizar essa hipótese se levarmos em conta que as mulheres estavam menos dispostas a correr riscos envolvendo vidas, mas estavam mais dispostas a aceitar riscos em relação ao bloqueio precoce das economias. Ou seja: a decisão envolvendo o balanço “vida humana” vs. “resultados econômicos”. Com esse racional, então as mulheres líderes poderiam ser vistas como sendo significativamente mais avessas ao risco do que os líderes masculinos no tocante ao domínio da vida humana, porém, no domínio da economia, essas mulheres líderes estavam claramente mais preparadas para assumir mais riscos do que os homens.

Vale destacar, ainda no estudo das pesquisadoras inglesas, que experimentos científicos encontraram evidências que sugerem que os estilos de liderança de homens e mulheres são um tanto estereotipados, sendo o estilo masculino “orientado para a tarefa” e o feminino “orientado para o relacionamento interpessoal”. Em consonância com essa descoberta, as mulheres tenderam a adotar um estilo mais democrático e participativo de liderança, e menos autocrático ou diretivo do que os homens. Assim, a diferença entre focar na tarefa e focar em pessoas, realizando uma liderança mais participativa, foi elemento chave para a mobilização e engajamento do povo em prol do combate ao vírus.

Dessa forma, ao que nos parece, ter um estilo de comunicação claro, empático e decisivo é o que faz a diferença significativa aos resultados imediatos da pandemia em países liderados por mulheres.

E para trazermos a esse papo uma voz feminina brasileira, fica aqui o registro de Alexandra Malagon, CEO do Grupo Keralty no Brasil, em entrevista ao Jornal Estado de Minas, ressaltando que as características femininas de liderança têm ajudado a encontrar o melhor equilíbrio entre todos os aspectos objetivos e subjetivos envolvidos na crise: “As mulheres tiveram muitas conquistas e os grandes passos foram dados graças aos esforços delas e às iniciativas globais; o mundo não será mais o mesmo; todos nós nos transformamos para enfrentar crises e buscar um futuro melhor”.

As mulheres e os jogos olímpicos

Rio de Janeiro – Corredoras dos Estados Unidos Tianna Bartoletta, Allyson Felix, English Gardner e Tori Bowie vencem final do revezamento 4 x 100m nos Jogos Rio 2016, no Estádio Olímpico (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Os jogos olímpicos são o maior evento do mundo e a abertura da edição de Tokyo 2020 acontece em 23 de julho de 2021, com 364 dias de atraso, devido à pandemia da COVID-19, com inúmeras restrições de público e de circulação. Tokyo 2020 conta com a maior participação histórica de mulheres – 49% – e sua representação em todas as modalidades esportivas, algo que só foi possível desde 2012, na edição londrina do evento.

Sabemos que nem sempre foi assim. A primeira edição dos jogos modernos, Atenas 1896, não contou com NENHUMA mulher no grupo de atletas. Na segunda edição, Paris 1900, houve 2% (dois por cento!) de mulheres no total dos atletas. A tenista inglesa Charlotte Cooper se tornou a primeira campeã olímpica. Na verdade, a ideia de incluir mulheres era contra a vontade de Pierre de Coubertin, o idealizador das olimpíadas modernas, ele dizia que “é indecente ver mulheres torcendo-se no exercício físico do esporte”.

Mas, nenhuma novidade até então. Os jogos olímpicos, iniciados em 776 a.C., na Grécia Antiga, eram um festival religioso e atlético que aconteciam a cada quatro anos em Olímpia, em honra de Zeus, e proibidos para mulheres participarem – mulheres casadas também não podiam acompanhar da arquibancada, sendo levadas rio abaixo caso fossem flagradas ali. Existiam outros três tipos desses grandes eventos e, segundo alguns documentos, as mulheres tinham os jogos heranos somente para elas, desde que fossem solteiras. Nesses jogos, praticavam hipismo, natação, acrobacia e luta livre. O nome do evento era em homenagem da deusa Hera e suas edições aconteciam também no santuário de Olímpia, com a mesma frequência dos quatro anos. Assim como os homens, as campeãs eram coroadas com ramos de oliveira e presenteadas com uma parte da vaca que era sacrificada em nome de Hera. Há documentos que falam de estátuas construídas em honra das vencedoras, mas nunca foram encontrados exemplares dessas construções.

Atualmente, as mulheres têm muito mais abertura e chances de seguirem suas carreiras como atletas profissionais de alto rendimento. Porém, as modalidades femininas são somente 4% de tudo o que é transmitido nos canais esportivos. É importante destacar o papel da mídia e sua influência sobre como expor mais diversidade nos esportes, e os jogos olímpicos são uma grande oportunidade para que isso aconteça.

Um grande exemplo pouco conhecido: a atleta norte-americana Allyson Felix conquistou 25 medalhas de jogos olímpicos e campeonatos mundiais de atletismo, sendo 18 delas douradas, quebrando até o recorde de conquistas de Usain Bolt, um nome muito mais popular no esporte. Nessa jornada incrível, ela também tornou-se mãe, gerando muita discussão sobre o assunto maternidade e alta performance. Ela marcou seu legado mesmo depois da gravidez.

Não apenas falta esse holofote para as mulheres, mas elas também ganham muito menos, tanto nos salários quanto nas premiações, e treinam de forma semelhante aos homens, quando pensamos em horas de preparação e dedicação. Somente um esporte remunera melhor as mulheres que os homens, de todos os existentes: a patinação artística no gelo.

As mulheres têm se destacado nos mais variados esportes e aparecido cada vez mais nas quadras, nas piscinas, nas pistas e nos ringues, em que podemos vê-las pelas mídias. E, como tendência do que já observamos a partir do mundo corporativo, também são uma pequena minoria nas lideranças, ou seja, como técnicas, gerentes e, principalmente, nos cargos de alta gestão das associações esportivas e federações.

Observando um número rápido: as mulheres são apenas 20% (vinte por cento!) dos técnicos de futebol feminino, e claro que não constam nas listas de técnicos de times masculinos (alguém já viu?). Estamos falando de um dos esportes mais populares do mundo. A própria seleção brasileira de futebol feminino teve sua primeira técnica em 2016, Emily Lima. Em 2019, a sueca Pia Sundhage foi escolhida para ser a primeira técnica estrangeira do time. Esse atraso pode ser explicado, talvez, por termos tido uma lei de 1941, aprovada por Getúlio Vargas, em que as mulheres estavam proibidas de praticar “esportes incompatíveis com as condições de sua natureza”, como o futebol e outras modalidades, e que perdurou por quase 40 anos.

Com essa lei, quase perdemos a chance de conhecer a Marta no futebol, com seu enorme talento. Ela ganhou seis vezes o prêmio de melhor jogador do mundo (recorde entre mulheres e homens), além de ser a maior artilheira em copas do mundo (entre mulheres e homens também), com 17 gols marcados. Não só isso, é a primeira (e até hoje única) pessoa a marcar em cinco edições diferentes de copa do mundo, considerando novamente o feminino e o masculino.

De certa forma, o espaço já foi aberto para as mulheres nos esportes olímpicos, pois a participação feminina no grupo de atletas é bem equilibrada. O que falta, ainda, é o tratamento mais equitativo, o papel da mídia para mostrar seus grandes feitos, a recompensa mais balanceada, e um olhar para o potencial da força feminina em todos os níveis.

Create your website with WordPress.com
Get started